quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ME ESQUECI DE VIVER

“JULIO IGLESIAS”
Parabéns ao JULIO IGLESIAS, por esta música tão romântica, tão simples mas que nos diz coisas tão profundas e difíceis de enfrentar.
Ensina-nos a valorizar os pequenos momentos e transmite muita verdade.
Deixa-nos pensando que quando éramos jovens, deixamos escapar tantas oportunidades que tivemos, por medo... os anos vão passando, e jamais poderemos recuperar o tempo perdido... perdemo-nos em lamentações...

NÃO TE ESQUEÇAS DE VIVER, começa já, entrega-te ao mundo...vive tudo o que há para viver e alcansarás a felicidade.



Letra:

ME ESQUECI DE VIVER
(Me olvid de vivir)
De tanto correr pela vida sem freio,
me esqueci que a vida se vive num momento.
De tanto querer ser em tudo o primeiro,
me esqueci de viver os detalhes pequenos.

De tanto brincar com os sentimentos,
vivendo de aplausos envoltos em sonhos.
De tanto gritar as canções ao vento,
já não sou o que fui, hoje eu vivo e não sinto.

Me esqueci de viver; Me esqueci de viver
Me esqueci de viver; Me esqueci de viver

De tanto cantar ao amor e á vida,
eu fiquei sem amor uma noite e um dia.
De tanto brincar com que eu mais queria,
eu perdi sem querer o melhor que eu tinha.

De tanto brincar com verdade e mentiras,
me enganei sem saber que era eu quem perdia.
De tanto esperar, eu que só oferecia,
hoje eu fico a chorar, eu que sempre sorria.

Me esqueci de viver; Me esqueci de viver
Me esqueci de viver; Me esqueci de viver

De tanto correr pra roubar tempo ao tempo,
querendo ganhar dias e noites um sonho.
De tantos fracassos, de tantos intentos,
por querer descobrir cada dia algo novo.

De tanto brincar com os sentimentos,
vivendo de aplausos envoltos em sonhos.
De tanto gritar as canções ao vento,
já não sou o que fui, hoje eu vivo e não sinto.

Me esqueci de viver; Me esqueci de viver
Me esqueci de viver; Me esqueci de viver


domingo, 4 de dezembro de 2011

VIOLENCIA DOMESTICA



 

Sendo que a violência doméstica é o tema mais badalado dos tempos que ocorrem, e que mais polémica tem gerado tanto na sociedade como a nível político, não quis deixar de elaborar um tema sobre o assunto.


OUSAR E VENCER – COMPREENDER A “VIOLENCIA DOMESTICA”

I

A violência doméstica não é, infelizmente, um problema dos nossos dias, assim como não é um problema especialmente nacional. Muito pelo contrário a sua prática atravessa os tempos, e o fenómeno tem características muito semelhantes em países cultural e geograficamente distintos, mais e menos desenvolvidos.

Pretendo com este apanhado dar uma ideia do que é afinal a “Violência Domestica” e ajudar a melhor compreender a forma como a lei tratou e sobretudo como trata este fenómeno social que atinge muitas mulheres e homens, e portanto muitas famílias portuguesas.

A lei criminal ao não regulamentar a esfera privada da família, foi cúmplice das atrocidades e dos atentados aos direitos humanos que intra-muros foram sendo cometidos ao longo da história da humanidade, sem qualquer punição para com o agressor, marido ou companheiro, que foi adquirindo impunidade legal e social perante os crimes domésticos que ia cometendo.

Assim se foi construindo a ideia de homem dominador, duro e pai tirano, distante, detentor máximo do poder familiar e de regras que teimavam impor-se. As mulheres foram ao longo dos anos desencorajadas pelas polícias, pelos tribunais e pela sociedade em geral a apresentar queixa de um agressor que por direito as devia proteger e a quem deviam obediência.

Os mecanismos de apoio também eram escassos até um passado muito recente. Restava-lhes sofrer em silêncio a sua condição de mulher, e encarar o casamento, quando violento, como um “destino fatal” que deveriam suportar até que a morte física, simbólica ou perda da sua identidade também as vitimasse. Eis que em 1978 a lei mudou. As mulheres não são mais propriedade legal dos seus maridos e passam a gozar de direitos iguais aos homens perante a lei. Só que o peso da tradição permanece enraizado na cultura de um povo que resiste transformar-se.

Era tempo do Estado intervir não apenas legalmente, mas fazê-lo também socialmente. Também não posso deixar de salientar os avanços significativos no atendimento às vítimas de violência domestica que estão a ser feitos pelas forças de segurança, com níveis de rigor e profissionalização crescente na grande maioria dos postos da GNR e esquadras da PSP.

Precisamos que a conquista da igualdade perante a lei se alcance ao nível de todas as dimensões da vida, punindo os agressores, protegendo as vítimas, independentemente do sexo a que pertençam e restituindo dignidade da vida, onde muitos atropelos ao exercício da cidadania e dos direitos humanos têm sido cometidos.

O governo reafirma vontade de combater a violência doméstica e nos últimos tempos tem tomado medidas de promoção dos direitos das mulheres, atribuindo-lhes o estatuto de vítima e criando casas de abrigo, com o intuito de as afastar do agressor.

A violência doméstica é o tipo de violência que ocorre especialmente entre membros de uma mesma família ou que partilham a mesma habitação. Assim faz com que seja um problema complexo, com facetas que entram na intimidade das famílias e das pessoas, pelo que e como regra geral não há testemunhas, por ser exercido em espaço privado é para as polícias muito delicado aborda-lo e combate-lo é muito mais difícil.

Somos crescentemente confrontados com o aumento de situação de violência, não só contra as mulheres, mas também contra os homens, crianças e pessoas idosas e mais frágeis, como é o caso de pessoas portadoras de deficiências. Pode assumir diversas formas que vão desde os maus tratos e espancamentos até ao abuso sexual, violação, incesto, ameaças, intimidação e até mesmo de prisão domiciliária.

A violência doméstica não escolhe classes, pois ocorre em todas as classes sociais. Trata-se de um crime Publico previsto no Código Penal, pelo que qualquer cidadão que tenha conhecimento deste tipo de crime é obrigado perante a lei de o comunicar as entidades competentes para a sua investigação.



II

A violência doméstica está tipificada em três classes:

-Entre cônjuges (ou análogo)

-Contra crianças e menores de 16 anos de idade

-Outros crimes de violência doméstica (Pessoa particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou dependência económica.

          São abrangidos os crimes de Maus tratos e de Violação das regras de segurança.

         

III

A violência doméstica é um ciclo com varias fases:

-Acumulação de tensão

-Explosão

-Arrependimento

-Escalada de reinício do ciclo

Tipos de violência doméstica:

-Violência física

-Violência sexual

-Violência verbal

-Violência psicologia

-Violência económica

-Violência religiosa



Características da violência doméstica:

-O silencio

-A vergonha

-O medo

-Os mitos

-Os papeis tradicionais

-A experiencia anterior

-As crianças

-A frequência e a intensidade da violência

Factores que podem influenciar a vítima a manter-se numa relação de violência:

-A negação da violência

-O medo

-O sentimento de culpabilidade e responsabilidade

-O sentimento de impotência

-O sentimento de vergonha

-A auto desvalorização

-O isolamento

-O desejo de preservar a unidade familiar, especialmente quando existem filhos

-Os obstáculos materiais (acolhimento, emprego e alternativas habitacionais)

-O desconhecimento dos seus direitos

Consequências da violência doméstica:

-Morte

-Ferimentos ou lesões graves

-Depressão

-Lesões traumáticas

-Distúrbios psicológicos

-Sentimentos de culpabilidade

-Medo

-Reacções de Stress

-Risco de suicídio



O Impacto da violência nos filhos de mulheres e homens maltratados:

Na idade pré-escolar:

São crianças mais desprotegidas, vulneráveis com menos recursos cognitivos e comportamentais para lidar com outras situações

Na idade escolar:

São crianças que já tem mais recursos cognitivos e comportamentos para lidar com situações traumáticas

Na adolescência:

Podem manifestar comportamentos anti-sociais e auto-destrutivos

IV

Considerações pessoais, baseados na experiencia adquirida



Presentemente e dada a divulgação sistemática, quer pelos meios da comunicação social, quer pelas forças de segurança, estes casos tem chegado com mais frequência á barra dos tribunais, pois os números tem aumentado significativamente.

O aparecimento do rendimento mínimo, agora rendimento de inserção social, bem assim como o aparecimento e uso dos telemóveis, veio influenciar significativamente os desentendimentos e consequentemente a violência entre os casais.

Os homens também são potenciais vítimas de violência doméstica. No entanto, raramente o denunciam. Preferem manter-se no silêncio. Sendo que neste caso a violência psicológica é a mais frequente. Assim, não é de estranhar o facto de se verificarem vários casos de “Homicídio” em que maridos matam as mulheres. A violência psicológica acentua-se de tal modo, que o homem chega a um ponto que não aguenta mais, já não tem capacidade para resistir, sente-se ferido nos seus princípios mais íntimos de homem e torna-se inútil e incapaz de contornar a situação. Só tem uma opção, acabar contudo de vez, eliminar o problema “matar a mulher” e de seguida quase sempre se suicida, ou tenta o suicídio. Ele tem este comportamento de suicida porque está consciente da culpa e do crime que acabou de cometer e não é capaz de sobreviver com essa culpa, nem com a humilhação, perante a sociedade. Também é certo que existem alguns casos de mulheres vítimas de violência doméstica que acabam por matar ou mandar matar os maridos. Contudo, não conheço nenhum caso em que a mulher de seguida se tenha suicidado ou tentado faze-lo. Talvez eu tenha uma explicação para isso, mas não vou fazê-lo porque posso estar errado, talvez os doutorados no assunto tenham alguma explicação científica. No entanto cada um de nós é livre de pensar o que quiser.

Os homens, e ao contrário daquilo que possa parecer, são quem mais valor dão á união familiar, ou seja são os que mais procuram preservar o casamento. Quase sempre são as mulheres a darem o primeiro passo para o divórcio

Também é certo que um certo número de queixas apresentadas pelo crime de violência doméstica, não o é na realidade, mas sim um aproveitamento para a concretização de um divórcio, em que a presumível vitima se deixa influenciar por potenciais interessados. Instala-se a provocação sistemática facto este que leva a que o outro elemento do casal parta para a agressão, a fim ser alcançado o objetivo.

Neste sentido, creio e arrisco mesmo a dizer que estamos a atravessar uma fase em que se está a valorizar de mais o dito crime de violência doméstica. Isto é um processo negativo para a vivência e construção de uma família a sério. Quando o casal entra nos procedimentos judicias, é o primeiro passo para destruição do casamento. Acabaram-se os princípios que unem a família. Começa a ser preocupante verificar como os pais começam a deseducar os seus filhos, cedendo às suas exigentes mais impertinentes, não contrariando as suas tendências egotistas, descartando-se da educação dos filhos, substituindo-se pelos professores e outros educadores.

Está a acabar a geração dos filhos que obedecem aos pais, e se instala a passos largos a geração dos pais que obedecem aos filhos e instala-se o egoísmo.

Um pai educador é capaz de criar filhos capazes de dar o seu contributo a favor de um mundo mais justo e solidário. Os caminhos da educação, permitem êxitos escolares, transmitem conhecimentos que são determinantes para dar á sociedade um rosto mais humano, à vontade e aos afetos que moldam o coração.

Assim, talvez seja oportuno dizer “Entre marido e mulher, não metas a colher”. Tendo como base este princípio, é descabido ter tornado a Violência Domestica “Crime Publico”, no meu entender apenas serviu para aumentar números estatísticos e agravando casos que á partida eram irrelevantes de fácil entendimento entre os casais. Até porque as vitimas a sério sempre estiveram protegidas, ou seja sempre puderam manifestar o seu direito de queixa.



V

Se for vítima de violência doméstica, contacte a GNR, da sua localidade, disponível 24 horas por dia. Também pode procurar apoio psicológico junto da GNR ou no serviço social do seu município através do n.º verde 800 244 820.

Em casos graves em que se preveja agressões contínuas, pode sempre solicitar o afastamento do agressor do lar e enquanto não tenha sido dado o parecer Judicial, pode ir para um Lar de Acolhimento, pois já foram criados alguns, não quantos os necessários, mas já foi dado um passo largo. Estes lares são protegidos dos agressores e discretos.

Não tenha receio, peça auxilio. Tenha coragem de voltar ao princípio, vença os seus medos. Só se vive uma vez e todos temos direito a ser feliz.

Se não confia nos outros, confie em si e será invencível…

NÃO SE ESQUEÇA DE VIVER




O JARDIM DA SOLIDÃO

·     

Há olhares que se tocam, movidos por invisíveis fios de teia prateada.

Há olhares que se cruzam, ponteados pela mesma luz.

Há olhares que se tocam, no silêncio das palavras nunca ditas, mas sempre repetidas...

E nunca oferecidas … O meu olhar, o teu olhar, são flores de um mesmo jardim…

- O jardim da Solidão

sábado, 3 de dezembro de 2011

AMIGOS PARA SEMPRE

Nunca desvalorizes ninguém...

Guarda cada pessoa perto do teu coração...

Porque um dia podes acordar...

E perceber que perdeste um diamante....

Enquanto estavas muito ocupado(a) coleccionando pedras.
Por falar em pedras...

...lembrei-me agora daquele poema lindíssimo de Fernando Pessoa que não resisto em publicar (e deveria ser lido todos os dias... e em voz alta, para o "ouvirmos" melhor!):
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

 Pedras no caminho?
 Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa)
«Só existe uma coisa melhor que fazer novos amigos, conservar os velhos.»
(Elmer Letternam)

FAMILIAS COM CRIANÇAS EM RISCO TÊM NOVO METODO DE AUXILIO

Por Magda Cunha Viana

Uma investigadora da Universidade de Coimbra inverteu o paradigma da crianças em risco e criou um projeto que se centra no apoio às famílias em vez de retirar as crianças.

Ana Teixeira de Melo, psicóloga, investigadora da Universidade de Coimbra considerou que o método usado para apoiar crianças e jovens em risco está ultrapassado. Ana Teixeira de Melo, psicóloga, defende que é necessário considerar os problemas da família em que se insere a criança em risco como sede do problema, vendo a família como um todo, em vez de retirar as crianças às famílias com ações dos tribunais ou pelas comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ).
A investigadora criou assim o Modelo de Avaliação e Intervenção Familiar Integrado (MAIFI) destinado a apoiar as comissões de proteção de crianças e jovens e os tribunais. O objetivo final é avaliar se é ou não possível manter a criança na sua família e apoiar o núcleo familiar de maneira a garantir a segurança e o bem-estar do menor, e se é possível controlar o risco a que está exposto, disse Ana Teixeira de Melo ao i. “Nós sabemos que os tribunais e as comissões têm muita dificuldade na condução dos processos de avaliação, por falta de metodologia e de instrumentos, e orientações adequadas à nossa realidade”, afirmou.
O modelo da investigadora dá formação aos profissionais para que possam conduzir as avaliações e dar resposta a um conjunto de questões que são importantes para decidir o futuro das crianças, segundo a investigadora, que já viu o projeto posto em prática em sete concelhos do país, junto de 67 famílias, através de centros de apoio familiar e aconselhamento parental, em ligação com os seus parceiros locais (CPCJ, tribunais e Segurança Social).
Desenvolvido e avaliado ao longo dos últimos quatro anos, o novo modelo de intervenção diferenciada necessita da adoção em pleno, ou seja, “de uma mudança radical nas políticas de funcionamento do sistema”, disse ao i.
Esta necessidade resulta da exigência de uma grande flexibilidade das instituições e dos profissionais. Sendo muito centrado nas famílias, não se coaduna com horários rígidos, dado que a equipa tem de estar disponível 24 horas por dia e tem de ter autonomia, alerta Ana Teixeira de Melo. Com “a crise que o país atravessa, o número de famílias com dificuldades vai aumentar seguramente, o que exige a adoção de mecanismos que as fortaleçam. Os modelos dominantes que apenas fazem diagnósticos de necessidades e não se centram nas forças são ineficazes”, alertou.
Outra mais-valia do MAIFI, cujo planeamento foi avaliado por especialistas nacionais e internacionais, é o facto de, pela primeira vez, combinar o trabalho clínico com as preocupações sociais, educativas, comunitárias e forenses. Esta aliança entre as preocupações clínica e forense é particularmente inovadora e essencial para a tomada de decisão, tornando o processo mais respeitador da família, porque a investigadora entende que não basta aumentar rendimentos ou ensinar competências parentais, pelo que é preciso apoiar a família para que seja forte, coesa e unida.
A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, resultou na tese de doutoramento de Ana Teixeira Melo. Uma equipa que trabalha no terreno, desde 2007, em Murtosa, apoia 23 famílias. Fonte destas equipas disse ao i que as pessoas auxiliadas pertencem a famílias que, por “algum motivo, têm muitos desafios” e pertencem a diversos extratos sociais.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A SIDA NO MUNDO


A Sida no mundo
Apesar de alguns avanços, o mundo está perdendo a guerra contra a SIDA e as regiões mais pobres do planeta são as mais afectadas. É certo que a epidemia pode estar, vagarosamente diminuindo no mundo, mas as taxas de infecção ainda são crescentes.
 
A África é, sem de dúvida, a região mais afectada pela SIDA, onde o abandono da população é maior. Dois terços dos africanos possuem o vírus. A África Sub-Sahariana é uma das comunidades perante a qual o mundo não pode ficar indiferente.
Por isso, não é com uma vacina eficaz que se soluciona o problema da SIDA em países pobres.

Na minha opinião, para os resultados serem bem sucedidos na redução destes casos requer um compromisso político das autoridades e comunidades locais apoiado por esforços internacionais e da indústria farmacêutica. Mas não só os avanços científicos são necessários para o controle da SIDA, mas também um envolvimento das populações vulneráveis que com o apoio das instituições locais e internacionais estejam dispostas a enfrentar o problema para assim o poderem resolver. Além disso, para modificar o quadro da SIDA naquele continente, só com uma mudança brusca nas estruturas de base para que seja possível disponibilizar medicamentos e acesso a informação sobre prevenção e tratamento. Algo que só seria possível por meio de uma intervenção internacional em parceria com os governos locais. O que acontece na África não passa de uma hipocrisia do mundo frente à pobreza e ao desenvolvimento em que as infecções da SIDA, atingem as camadas mais jovens

OS JOVENS E A SIDA


OS JOVENS E A SIDA

Uma das doenças mais graves que apareceu nos finais do século passado, a SIDA, é uma preocupação a ter em conta especialmente pelos nossos “jovens”. Assim foi meu entender elaborar um texto de forma simples sobre o que é a SIDA, como se transmite, quem a pode contrair e como a evitar.


O que é a SIDA?

SIDA significa “Sindroma de Imunodeficiência Adquirida”
É uma doença transmissível que resulta de uma falha do sistema imunitário do organismo que, em situações normais, permite ao ser humano defender-se contra bactéria, vírus, parasitas e fungos presentes no meio ambiente.
A SIDA só recentemente foi identificada. Propagou-se pelo mundo inteiro em menos de oito anos, tendo os primeiros casos sido detectados em 1981 nos Estados Unidos da América.
Actualmente, pensa-se que há entre 5 a 10 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV, causador da doença e de que se conhecem dois tipos (HIV1 e HIV2).

Como se manifesta a doença?
A história da infecção HIV não é ainda suficientemente conhecida. Todavia, a experiencia adquirida, indica que o seu período de incubação pode ser de 7 a 10 anos, ou ainda mais.

Os seropositivos, ou seja pessoas portadoras do vírus da SIDA, mas isentas de sintomas, podem vir ou não a desenvolver a doença,

Normalmente, os primeiros sintomas são:
-Aumento do volume dos gânglios linfáticos
-Suores nocturnos
-Diarreia
-Perda rápida de peso
-Fadiga invulgar e prolongada.
Mas, só um exame médico completo poderá confirmar se efectivamente se trata de SIDA ou não, visto que todos estes sintomas acima descritos são comuns a outras doenças.

Há tratamento para a SIDA?
Não há ainda tratamento para a SIDA.
Também não existe ainda nenhuma vacina e a maior parte dos investigadores considera que uma vacina eficaz e facilmente disponível não será possível nos próximos 5 anos.

Como se transmite a SIDA?
O vírus HIV é transmissível, embora menos que o da Hepatite B.
O vírus HIV só sobrevive nos líquidos orgânicos, tais como:
-Sangue – Esperma – Fluido vaginal

A sua transmissão faz-se, principalmente, por:
-Contacto sexual
-Injecção endovenosa com agulhas e seringas contaminadas
-Transfusão de sangue contaminado ou administração de derivados do sangue não tratados
-Passagem do vírus de mães contaminadas para filhos, durante a gravidez ou parto.

Não existem provas de transmissão da SIDA através de:
-Carícias e abraços – Saliva – Beijo – Roupas – Louças e talheres – Sanitários – Piscinas – Picadas de insectos – Contactos sociais de trabalho – Transportes públicos.

Quem pode contrair a SIDA?
Embora a doença possa afectar qualquer pessoa, ela manifesta-se mais frequentemente nos grupos populacionais que a seguir se indicam:
-Homossexuais, principalmente os que têm mais do que um parceiro sexual
-Heterossexuais, principalmente os que têm vários parceiros sexuais
-Consumidores de droga que se injectam
-Prostitutas e prostitutos
-Parceiros sexuais de todos os grupos acima referidos
-Crianças nascidas de mães infectadas
-Hemofílicos (que foram sujeitos a transfusões de sangue infectado, antes de ser identificado o vírus da SIDA).
Estudos recentes indicam que o consumo prolongado de haxixe ou marijuana enfraquece o sistema imunitário, pelo que os consumidores habituais destas drogas, que sejam expostos ao contacto do vírus HIV, têm mais probabilidades de serem infectados.

Como evitar que a SIDA se propague?
Se pensas que estás infectado:
-Procura o teu medico que te indicara um serviço adequado onde o exame pode ser feito com segurança e confidencialidade
-Diz ao teu parceiro sexual
-Usa sempre um preservativo (as pessoas infectadas não necessitam de abster-se de ter relações sexuais)
-Não dês sangue
-Se fores toxicodependente procura tratamento urgente e nunca uses seringas e agulhas de outros.

Como evitar contrair a SIDA?
A SIDA não deve constituir motivo de pânico.
Viver a sexualidade de uma forma saudável não é só prevenir a SIDA, mas também prevenir outras doenças de transmissão sexual, uma gravidez indesejada, o aborto; é sentir-se bem consigo próprio e com a outra pessoa.
O conhecimento dos parceiros e uso de preservativos, são os meios mais seguros de evitar o contágio, que da SIDA quer de outras doenças de transmissão sexual.
Mas, antes de usares o preservativo verifica se está em boas condições. Utiliza-o só uma vez e a seguir deita-o fora, onde tenhas a certeza de que não será facilmente encontrado, por crianças ou animais, ou destrói-o.
Não partilhes escovas de dentes, lâminas de barbear, seringas e agulhas bem como outros objectos cortantes.
Exige a máxima higiene em qualquer local onde se utilizem objectos susceptíveis de provocar o aparecimento de sangue.
E, Atenção, podes dar sangue, uma vez que isso não constitui qualquer perigo de contágio para ti.

Nos objectos cortantes, o vírus HIV pode ser destruído por:

-Imersão em lixívia durante, 15 minutos
-Imersão em água oxigenada ou detergente, durante 15 minutos
-Imersão em álcool a 70º, durante 10 minutos
-Exposição ao calor a mais de 60º, durante 30 minutos.

A SIDA não deve constituir motivo de pânico, no entanto, não penses que a SIDA só pode acontecer aos outros.

Nota Final
O contacto social (abraçar, acariciar, apertar a mão, etc.) com uma pessoa seropositiva ou doente com SIDA não é contagioso, pelo que não se deve evitar. Pelo contrário, esse contacto é importante para que a pessoa não se sinta marginalizada.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O PRINCIPIO DO FIM

Antes de dar inicio aos temas que pretendo abordar, vou deixar aqui algo da minha infância, nomeadamente o local de nascimento, regime político da época, e ensino primário.
Ao longo dos anos a sociedade viu perder princípios fundamentais, que acabaram por ser prejudiciais para a dita liberdade, tantas vezes prometida, mas mal conseguida…

         Estávamos em época Natalícia. Por cerca das 06H30 do dia 26 de Dezembro do ano de 1960, num dia que prometia ser muito frio, nascia numa casa humilde no lugar do Bairro da freguesia de Paços das terras de Monte Longo, um menino a quem puseram o nome de MANUEL. Era o primeiro filho de um jovem casal, de fracos recursos financeiros, mas com muito amor para dar.
         Era uma época em que o país era governado sob um regime fascista, denominado por “Estado Novo”. Não havia liberdade de expressão e as famílias viviam num clima de medo, submissão e de miséria.
Fui bebé e menino como tantos outros. Eis que chegou a idade escolar. Uma vida nova, um começo de novas amizades para o futuro.
         Recordo agora aquele primeiro dia. Era o primeiro dia de uma aprendizagem contínua. Estávamos nos princípios do Mês de Setembro. Saí de casa bem cedinho e levava ao ombro uma sacola de pano, feita pela minha mãe “era um luxo para a época”. Lá dentro, a lousa e o lápis, uma “sebenta” e a caneta de aparo e ainda o mata-borrão de cor laranja. Depois de ter percorrido cerca de três km a pé, na companhia de minha mãe para me ensinar o caminho, cheguei á escola.
 Era a escola da Boavista, no primeiro andar de uma casa de pedra, onde por baixo alguém, que ainda hoje conheço ali habitava. Subi as escadas entre barulho de outros meninos. Para mim e outros que pela primeira vez enfrentavam uma situação tão diferente daquela a que estávamos habituados, tínhamos estampado na cara o medo e a vergonha. Outros limitavam-se a olhar com cara de gozo e de sabichões para os recém-chegados. Entramos, era uma sala enorme cheia de “carteiras” alinhadas e com soalho de madeira a qual rangia ao ser pisada. A professora mandava sentar na frente os mais novos e os mais velhos ficavam nas carteiras mais atrás. Mesmo ao fundo da sala existiam três ou quatro carteiras, mais separadas, onde se sentaram os mais velhos, “repetentes” e com mais de dez anos de idade. “ Aí ficam os burros”, dizia a professora com ar de troça.
Ali fiquei sentado na primeira carteira da frente, com outro menino que nunca tinha visto e trocávamos olhares envergonhados. Mesmo na nossa frente estava a secretaria da professora colocada num enorme estrado de madeira. Atrás e ao centro era bem visível um quadro com a fotografia do “Salazar”. Logo ao lado um enorme quadro preto, uma esponja e vários gizes com cor branca. Do outro lado o mapa de Portugal Continental e o mapa de Portugal Insular e ultramarino. Ao canto da sala era bem visível a bandeira Nacional e ao centro um crucifixo.
Estava nervoso e acabei por meter o dedo no pequeno buraco redondo de uma coisa branca que estava encaixada ao cimo da carteira. Fiquei com o dedo pintado de azul, era o tinteiro, que tantas vezes serviu para meter a pena, para desenharmos as letras na sebenta e construir as primeiras palavras.
         A professora era uma jovem, que começou por elogiar a minha sacola. Tão bem feitinha… dizia ela. Não me lembro do seu nome, mas recordo que era uma jovem elegante e aparentava vestir bem. Tinha pela frente muito trabalho… ensinar quarenta ou mais alunos desde a primeira á quarta classe… só mesmo há muitos anos atrás. Hoje em dia era impossível.
         No segundo ano tive outra professora, que me acompanhou até ao exame da quarta classe. Era loira e má, ficou a ser conhecida pela professora de “rabo-de-cavalo”. Ainda hoje, por vezes tenho impressão que me cruzo com ela nas ruas da cidade. É ela, de certeza, se não é… já estive tentado em perguntar, talvez um dia. Era bem mazinha, se bem que da minha parte não tenho muita razão de queixa. Mas alguns meninos, hoje bem crescidinhos, ainda devem ter as mãos a arder de tantas reguadas “bolos” que levavam nas mãos. A cana de foguete, já rachada de tanto bater nas nossas cabeças, sempre dava jeito para matar os piolhos.
         O pior era o percurso para a escola. Chegava a levar uma hora a chegar, entre paragens e brincadeiras. No regresso corríamos a sete pés, pois por vezes éramos corridos á pedrada por grupos rivais. Aqui aprendi a dialogar e a saber mediar os conflitos. Facto este que me valeu, e se bem me recordo, talvez ser o único que nunca chegou a casa com a cabeça rachada. O Inverno era o pior inimigo, o frio, o vento e a chuva que teimava cair. Não me lembro de guarda chuvas, mas sim de uma saca de serapilheira, que transformava num capuz e cobria a cabeça. Era assim para todos, ou quase todos, pois havia quem nem a dita saca tinha para o seu agasalho.
         Muitas das vezes não chegávamos á escola, pois ficávamos pelo caminho. Se bem que a expressão utilizada é “amoutavamo-nos”. Este procedimento valia a chamada dos nossos pais á escola e o respectivo castigo, quer em casa quer na escola. Apesar dos castigos, não serem agradáveis, principalmente os da professora, é certo que o acto se repetia.
         Os anos passaram. Tinha talvez dez ou onze anos e chegou o dia mais esperado. O exame da quarta classe. Foi feito na Escola Conde Ferreira. Entre várias professoras e alunos, sujeito a provas escritas e orais, sendo que tive de ir ao mapa e indicar os principais rios e linhas de caminhos-de-ferro,  que tínhamos de saber na ponta da língua. Recebi o primeiro diploma que ainda hoje guardo com orgulho. Era o fim do ciclo escolar obrigatório, onde quase todos os alunos que me acompanharam ao longo desses anos terminaram por aqui os estudos e foram trabalhar.
         Entre sofrimentos, desesperos e alegrias, valeu a pena este percurso. Conheci outros meninos, com os quais ainda hoje me relaciono e recordamos as asneiras e brincadeiras feitas. Esta aprendizagem foi o trampolim para aquilo que sou nos dias de hoje.
         Uma lembrança que ficou, é que inúmeras vezes se cantava naquela escola o “Hino Nacional” Éramos crianças mas tínhamos respeito e um grande sentimento de alegria que nos causava arrepios sempre que cantávamos o nosso Hino e não havia menino que não soubesse cantar.
         … Assim se vai perdendo a nossa identidade…